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Elite da Tropa

5 de março de 2010

Capa

Hoje, terminei a leitura de Elite da Tropa, o livro que deu origem ao polêmico filme Tropa de Elite. Escrito pelos policiais do BOPE André Batista e Rodrigo Pimentel, em parceria com o antropólogo Luiz Eduardo Soares.

Minha análise, meus comentários em meio a algumas frases do livro.

Para a grande maioria que viu o filme e não leu o livro, primeiramente gostaria de informa-los que o livro e o filme não partilham do mesmo enredo. Mas sim, do mesmo objetivo: Mostrar o dia a dia insano e a visão dos Policiais Militares sobre o quadro de violência e corrupção que vive o Rio de Janeiro.

“As histórias são varridas para o lixo. O problema é quando o entulho se acumula e alguma coisa empaca na obstrução do esgoto.”

Analisando pelo lado literário, podemos dizer que as duas obras, o filme e o livro, são irmãs. Há quem defenda que não podemos compara-los. Mas no meu ver  não podemos é julgar um filme à um livro, pois, são duas obras literárias completamente distintas, que podem ou não, partilhar do mesmo enredo, objetivo e personagens, mas não tem necessidade de serem fiéis uma à outra. Ou seja: podem sofrer adaptações, inclusão e exclusão de personagens, pequenas tramas e etc. Não é o caso, pois como já disse o livro (Elite da Tropa) e o filme (Tropa de Elite) não partilham do mesmo enredo, mas sim, do mesmo objetivo. Mas a comparação não pode deixar de ser feita e discutida.

“Copacabana me engana que eu gosto. Fartura de mulheres, estrelas, babados, shows, bebidas, strip-teases e línguas estrangeiras, turbinados pelo branco e pelo preto. Pó e fumo, cocaína e maconha, branco e preto, o bairro alucina à noite.”

Quem viu o filme e espera ler um livro violento, escrachado, cheio de palavrões, tortura e corrupção policial vai encontrar um pouco mais que isso. Na primeira parte o livro trata de pequenos episódios de histórias que, provavelmente, se repetem diariamente na vida dos policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro (BOPE). Desde do treinamento, até o combate. Eu resumiria em uma palavra: Brutalidade.

Na segunda parte  um dos personagens segue uma trama de corrupção que envolve policiais, traficantes e e autoridades do Estado. Cada um no seu lugar, cada um com seu papel.

“Sim, senhor”, foi o que me ocorreu dizer, enquanto eu pensava na merda que é o nosso país – com o perdão da heresia antipatriótica.”

Podemos analisar que o livro é muito mais denunciativo. Infiltra-se profundamente nas redes de corrupção das Polícias, Militar e Civil.  E é muito menos interpretativo que o filme. Talvez pela ignorância de alguns que assistam o filme, muita gente vê os policiais do BOPE como os salvadores da segurança pública no Brasil. Soldados bem treinados que trabalham independentes da corrupção e dos interesses esdrúxulos de uma sociedade comandada por doentes e que trouxeram a solução para o tráfico de drogas e a violência urbana. “Entrar na favela e deixar corpo no chão”.

Não, o livro deixa bem claro que o BOPE muitas vezes é vítima de interesses e que seu trabalho é muitas vezes em vão. O que temos de entender é que o trabalho da BOPE, hoje, não é combater o tráfico de drogas e sim conte-lo. Tráfico de drogas é combatido com educação, saúde, desenvolvimento e condições para dar outra opção para quem entra para o tráfico por falta dela.

O assunto é delicado, o livro é excepcional. Capítulos emocionantes que vislumbram o pensamento de homens que fazem parte de uma organização profundamente defasada pela corrupção. Mas aqui, vale ressaltar um pensamento desta obra: “Polícial é igual político. Pode ser honesto ou não, não podemos é generalizar.”

Veja também:

  • Entrevista com Rodrigo Pimentel quando ainda fazia parte do BOPE:

Parte 1:

Parte 2:

“Não há guerras só no mundo externo, esse lugar objetivo em que as coisas ocupam espaço e cumprem as leis da natureza independentemente da nossa vontade. Há também os conflitos internos, que se travam dentro de nós, dividindo a nossa vontade ao meio. O campo de luta é o espírito, ou a mente, tanto faz.”

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