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Entrevista

28 de abril de 2010

É com muito orgulho que posto hoje, uma entrevista que a minha amiga, estudante de Jornalismo, Gabriely Santos fez comigo. Ela tinha que entrevistar, para um trabalho da faculdade, alguém que tenha a inspirado a cursar a faculdade de jornalismo e eu fico realmente muito honrado e agradecido por ter sido escolhido.

Obrigado Gaby. 🙂

Gabriely: O que fez com que você optasse pelo Jornalismo como formação profissional?

Frederico: Quando eu estava no último ano do Ensino Médio, eu fui obrigado a pensar com mais seriedade sobre o que ia fazer da vida. E lendo sobre várias profissões, a minha primeira opção era a de Jornalista, sempre foi. Por sorte eu conhecia a dona de um jornal da minha cidade e pedi pra que eu frequentasse e ajudasse no que fosse possível, pelo menos para saber se eu queria, ou não, seguir naquele ambiente, rotina. Logo no primeiro mês ela me deu a oportunidade de escrever uma matéria cobrindo uma palestra sobre a Lei Maria da Penha, ministrada pela Juíza da cidade. Gostei, e a partir dai descartei todas as outras opções.

Gabriely: Como você vê o jornalismo hoje em dia, os defeitos e os pontos positivos?

Frederico: Acho que o jornalismo está se reencontrando. Crises de credibilidade bombardearam as nossas redações do começo dos anos 90 até a pouco tempo atrás. Muitas foram acusadas de serem sensacionalistas e tendenciosas, houve também a queda do diploma e com isso muita gente começa a questionar as verdadeiras virtudes da profissão. Mas hoje, na era da internet e dos chamados “observatórios de imprensa” sou muito otimista em dizer que a próxima geração de jornalistas deverá se comportar completamente diferente da que temos hoje. Por dois motivos:

1. A chegada da internet. A internet nos traz uma nova plataforma, onde podemos explorar todas as outras, forçando os profissionais a serem menos específicos e mais versáteis. Além disso, a web 2.0 traz um novo elemento: a participação direta do público, a interação. O telespectador/leitor/ouvinte se sentirá muito mais parte daquele processo. Isso para mim, é um ponto muito positivo.

2.  A cada dia que passa, vemos mais jornalistas falando sobre jornalismo. Os observatórios de imprensa/mídia e o meio acadêmico estão, cada vez mais, se manifestando através dessas novas ferramentas as suas críticas sobre o próprio jornalismo. Seja de forma didática ou opinativa, é um grande passo. A partir do momento em que um “ser” percebe que está sendo observado, é evidente que o seu comportamento se altera.

Gabriely: Que área do jornalismo você acha mais interessante e pretende atuar?

Frederico: Webjornalismo. Como eu disse, acredito que a web consegue compilar todas as áreas em uma só. O jornalista tem, além de mais ferramentas, mais espaço para criar com podcasts, videocasts implementados pelos textos e imagens, se tornando um profissional multimídia. Além disso, eu partircularmente, gosto da interação da internet. O jornalista pode ter mais contato com os resultados, ficar mais próximo dos seus “leitores” e ter mais tato para o que está acontecendo. No jornalismo, ter a compreensão da realidade é muito importante

Gabriely: Você já fez alguma grande entrevista, com alguém conhecido? Houve algum nervosismo inicial ou você desde o início se manteve tranquilo diante do entrevistado e das câmeras?

Frederico: Sim, já entrevistei o jornalista Luis Nassif. Modéstia a parte, achei a entrevista muito boa. No final, com as respostas em mãos, fiquei orgulhoso das perguntas que fiz. Foi uma experiência incrível. Mas realmente fiquei muito tenso, digamos que o Luis (Nassif) não seja uma figura muito simpática, o que me deixou um pouco mais nervoso. Até pelo fato de que era um trabalho de telejornalismo, o que me deixava um pouco mais acanhado. Mas sem dúvidas, foi sensacional.

Gabriely: Qual o papel do jornalista na sociedade?

Frederico: O jornalista deve prestar um serviço a sociedade. Informar, educar, alertar, prever, precaver, entreter e dar às pessoas a compreensão da realidade.

Gabriely: O que você acha da nova proposta de alteração da Lei de Direitos Autorais que propõe que o Estado recupere o papel de regulador da matéria?

Frederico: Até onde eu sei, acho positiva. O Brasil é um dos poucos países democráticos do mundo que não tem poder de regulação nessa área. Mas depende da forma de como ela será redigida. A Lei de Direitos Autorais é muito confusa, por isso, acho que se for feita uma alteração ela deve ser para torná-la mais eficiente, mais eficaz e menos burocrática.

Gabriely: E pra você quais os princípios éticos imprescindíveis ao profissional jornalista?

Frederico: Para mim, todos os princípios éticos do jornalista começam na Apuração. O bom jornalista deve saber fazer boas escolhas na hora da apuração, deve saber escolher entre uma fonte e outra, entre um foto e outra, entre uma palavra e outra. Ele deve se isentar de opiniões e prejulgamentos para determinados temas, como diz o jargão: não deve brigar com a notícia. Muitos jornalistas saem para uma entrevista já esperando tais respostas do entrevistado e por isso, fazem perguntas carregadas de preconceitos e prejulgamentos, prejudicando o resultado.

Gabriely: Você tem algum jornalista que admira e no qual você se espelha?

Frederico: Sim. Ricardo Noblat, meus ex professores Sandro Galarça e Véra Sommer, Rogério Christofoletti e Alec Duarte.

Gabriely: O diploma de jornalismo foi considerado desnecessário para o exercício da profissão por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em junho de 2009. Como você vê essa decisão, a exigência do diploma é uma necessidade ou um retrocesso?

Frederico: Eu, particularmente, sou a favor do diploma e da regulamentação profissional. Muitos jornalistas mais antigos dizem que aprenderam mais em seis meses de redação do que em quatro anos de faculdade. Mas em uma época em que o conteúdo era produzido e consumido de maneiras completamente diferentes das de hoje. Hoje, com o fluxo de informação caótico que temos, e que não para de crescer, vejo que cada vez mais são necessárias pessoas qualificadas para filtrar e organizar toda essa informação, principalmente na internet. Acho que os estudantes, aspirantes a jornalistas e principalmente os jornalistas não deveriam olhar o diploma como apenas uma obrigação a ser cumprida e sim como uma oportunidade de formação e enriquecimento profissional e, porque não, pessoal. Afinal, estudar nunca fez mal a ninguém.

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Auto descrição

5 de abril de 2010

Hoje decidi confessar o meu medíocre medo de auto descrição. É, tenho medo de auto descrição. Por pura covardia, insegurança. Quando vejo aquele espaço demarcado onde podemos ver um cínico  “Quem sou eu” entro em pânico. Preencho todo o resto, dou voltas e sempre paro no mesmo lugar: frases vagas e universais que poderiam descrever no mínimo 30% das pessoas que são quase parecidas comigo. Pra não dizer que não descrevem por que no geral são frases prontas, letras de música, um coisinha daqui e outra dali. Mas nunca me dei ao trabalho de escrever algo que eu ache, sinceramente, que me descreva.

Pode ser por pensar que a descrição distorce a realidade. Não importa o quão precisa seja:  metade de uma descrição é obra do autor, a outra é do leitor. A leitura é só daquele que lê, é por isso que muita gente não gosta de filme baseado em livro. Mas é claro, aquela é a leitura do diretor. Por isso prefiro que falem de mim a falar de mim mesmo. Se você quiser me agradar é só você perder poucos minutos e escrever um sincero depoimento sobre a minha pessoa.

Sendo assim, ficaria mais aliviado em fazer uma auto descrição, pois então terei testemunha para provar aquilo que deponho em juízo. Por que admiro aquele que tem confiança o bastante para se descrever. Escrever sobre si mesmo é dar a cara a tapa para o juízo alheio. É receber criticas sobre uma obra publicada, quando a obra é você. Por essas e outras prefiro a descrição coletiva. Se criticado pela obra, você pode dividir a culpa de ser você mesmo com alguém.

Reinventando a literatura

14 de março de 2010

Desde o ano passado, tenho pensado e discutido com alguns colegas sobre como a literatura está se reinventando na era da tecnologia, dos blogs e das redes sociais. Não é novidade que, hoje, temos milhares de escritores que publicam diariamente seus textos na internet.

Mas eu estava curioso para ver além de uma simples adaptação do papel para o monitor. Uma literatura que pudesse desfrutar das ferramentas novas que a web nos proporciona. Uma literatura que interage. Mistura texto, links, imagens e, porque não, áudio e vídeo.

Então comecei a procurar. Vasculhei o máximo que pude para encontrar algo parecido na rede e não achei. Fiquei um pouco frustrado. Mas pelo menos encontrei pessoas que compartilhavam dessa ideia. Percebi que não demoraria muito para que alguém aparecesse com alguma novidade a respeito.

E foi o que aconteceu:

A boa notícia é que esta revolução literária está prestes a acontecer. A editora Penguin pretende reinventar o conceito de E-books (fonte: Folha Online), com o lançamento do Ipad pela Apple no mês de Abril. A intenção é interagir: áudio, vídeo, mapas e até comunidades virtuais de leitores que giram em torno das obras farão parte desse novo conceito de literatura.

Alguns criticam. Eu, particularmente, estou muito excitado com ideia. Espero que faça sucesso, não apenas no Ipad, mas que em breve possamos desfrutar desse novo conceito de leitura em qualquer computador comum e até mesmo no web jornalismo.

Vídeo de apresentação da Peguin para os Ebooks do Ipad:

“Reconhecer as falácias é por vezes difícil.”

9 de março de 2010
Quem convive comigo via internet, provavelmente, percebeu que ando falando muito sobre as tais  “falácias” nestes últimos dias. Antes de mais nada, temos que esclarecer:
  • “Uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega.” Wikipédia
  • “Sofisma ou engano que se faz com razões falsas ou mal deduzidas.” Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
  • “Argumento capcioso que induz a erro.” Aurélio

O blog Papo Político, trouxe a discussão “O que tem política com poesia?” e achei apropriado citar as falácias, pois, é muito mais comum do que pensamos nos depararmos com elas, tanto na política como nos discursos do dia a dia. Acho pertinente dizer que não há política sem retórica, muito menos retórica sem poesia. O problema é que além da retórica, nossos Excelentíssimo políticos usam de falácias. Argumentos que aparentemente são verdadeiros, inocentes e corretos, mas que não podem ser tomados como verdade absoluta por não se fundarem em fatos precisos.

E como todos nós as usamos, muitas vezes até por questões de expressão cultural, achei válido reproduzir alguns exemplos do artigo do Wikipédia onde encontramos a “Tipologia das falácias”

(Alguns dos nomes usados estão em latim, com a tradução ao lado.)

  • Argumentum ad antiquitatem (Argumento de antiguidade ou tradição):

Afirmar que algo é verdadeiro ou bom porque é antigo ou “sempre foi assim”.

Ex: “Se o meu avô diz que Garrincha foi melhor que Pelé, deve ser verdade.”

  • Argumentum ad populum (Apelo ao Povo):

É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas.

Ex: “A maioria das pessoas acredita em alienígenas, portanto eles existem.”

“Inúmeras pessoas usam essa marca de roupa; portanto, ela possui um tecido de melhor qualidade.”

  • Argumentum ad Verecundiam (Apelo à autoridade) ou Magister Dixit (Meu mestre disse):

Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa.

Ex: “Se Aristóteles disse isto, então é verdade.”

  • Argumentum ad hominem (Ataque ao argumentador):

Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.

Ex: “Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo”.

Percebeu? Aposto que agora as Falácias são muito mais comuns para você do que no começo deste post. E digo mais, se procurarmos nos discursos políticos não demoraríamos a encontrar muito mais exemplos para estes e para todos os outros tipos. Então, como podemos avaliar a “retórica” de nossos representantes?

Elite da Tropa

5 de março de 2010

Capa

Hoje, terminei a leitura de Elite da Tropa, o livro que deu origem ao polêmico filme Tropa de Elite. Escrito pelos policiais do BOPE André Batista e Rodrigo Pimentel, em parceria com o antropólogo Luiz Eduardo Soares.

Minha análise, meus comentários em meio a algumas frases do livro.

Para a grande maioria que viu o filme e não leu o livro, primeiramente gostaria de informa-los que o livro e o filme não partilham do mesmo enredo. Mas sim, do mesmo objetivo: Mostrar o dia a dia insano e a visão dos Policiais Militares sobre o quadro de violência e corrupção que vive o Rio de Janeiro.

“As histórias são varridas para o lixo. O problema é quando o entulho se acumula e alguma coisa empaca na obstrução do esgoto.”

Analisando pelo lado literário, podemos dizer que as duas obras, o filme e o livro, são irmãs. Há quem defenda que não podemos compara-los. Mas no meu ver  não podemos é julgar um filme à um livro, pois, são duas obras literárias completamente distintas, que podem ou não, partilhar do mesmo enredo, objetivo e personagens, mas não tem necessidade de serem fiéis uma à outra. Ou seja: podem sofrer adaptações, inclusão e exclusão de personagens, pequenas tramas e etc. Não é o caso, pois como já disse o livro (Elite da Tropa) e o filme (Tropa de Elite) não partilham do mesmo enredo, mas sim, do mesmo objetivo. Mas a comparação não pode deixar de ser feita e discutida.

“Copacabana me engana que eu gosto. Fartura de mulheres, estrelas, babados, shows, bebidas, strip-teases e línguas estrangeiras, turbinados pelo branco e pelo preto. Pó e fumo, cocaína e maconha, branco e preto, o bairro alucina à noite.”

Quem viu o filme e espera ler um livro violento, escrachado, cheio de palavrões, tortura e corrupção policial vai encontrar um pouco mais que isso. Na primeira parte o livro trata de pequenos episódios de histórias que, provavelmente, se repetem diariamente na vida dos policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro (BOPE). Desde do treinamento, até o combate. Eu resumiria em uma palavra: Brutalidade.

Na segunda parte  um dos personagens segue uma trama de corrupção que envolve policiais, traficantes e e autoridades do Estado. Cada um no seu lugar, cada um com seu papel.

“Sim, senhor”, foi o que me ocorreu dizer, enquanto eu pensava na merda que é o nosso país – com o perdão da heresia antipatriótica.”

Podemos analisar que o livro é muito mais denunciativo. Infiltra-se profundamente nas redes de corrupção das Polícias, Militar e Civil.  E é muito menos interpretativo que o filme. Talvez pela ignorância de alguns que assistam o filme, muita gente vê os policiais do BOPE como os salvadores da segurança pública no Brasil. Soldados bem treinados que trabalham independentes da corrupção e dos interesses esdrúxulos de uma sociedade comandada por doentes e que trouxeram a solução para o tráfico de drogas e a violência urbana. “Entrar na favela e deixar corpo no chão”.

Não, o livro deixa bem claro que o BOPE muitas vezes é vítima de interesses e que seu trabalho é muitas vezes em vão. O que temos de entender é que o trabalho da BOPE, hoje, não é combater o tráfico de drogas e sim conte-lo. Tráfico de drogas é combatido com educação, saúde, desenvolvimento e condições para dar outra opção para quem entra para o tráfico por falta dela.

O assunto é delicado, o livro é excepcional. Capítulos emocionantes que vislumbram o pensamento de homens que fazem parte de uma organização profundamente defasada pela corrupção. Mas aqui, vale ressaltar um pensamento desta obra: “Polícial é igual político. Pode ser honesto ou não, não podemos é generalizar.”

Veja também:

  • Entrevista com Rodrigo Pimentel quando ainda fazia parte do BOPE:

Parte 1:

Parte 2:

“Não há guerras só no mundo externo, esse lugar objetivo em que as coisas ocupam espaço e cumprem as leis da natureza independentemente da nossa vontade. Há também os conflitos internos, que se travam dentro de nós, dividindo a nossa vontade ao meio. O campo de luta é o espírito, ou a mente, tanto faz.”

Trote violento: só aceita quem merece.

1 de março de 2010

O Fantástico hoje mostrou uma matéria sobre o trote violento aplicado em calouros de medicina em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo.
De acordo com a matéria:

“Desde o começo das aulas, há duas semanas, os veteranos ameaçavam: quem não fosse ao sítio não poderia também frequentar outras festas da faculdade, correndo o risco de sofrer ameaças e constrangimentos durante o curso.”

“Os alunos novos ainda pagaram pra participar do ritual de brutalidade. Foram R$ 300 por um kit, que tinha estojo, agenda e a camiseta do trote. Como são 80 calouros, os veteranos do último ano arrecadaram cerca de R$ 24 mil.”

Agora, pensem comigo: Para que fins uma pessoa em sã consciência aceitaria participar de uma idiotice dessas? Aceitação social? Medo de ameaças?
Vamos ser francos:  quem aceita esse tipo de “brincadeira”, paga e vai até a “iniciação”, vai por que quer, gosta e concorda com esse tipo de atitude.

Também sou universitário, entendo e até apoio o trote, mas não essa imbecilidade. Veteranos conseguem realizar o trote violento porque os calouros aceitam e concordam com ele. Esse tipo de denuncia será completamente inútil, e o trote violento vai continuar enquanto houverem os tolos que aceitam agressões.

E não os chamo de tolos apenas por aceitarem o trote:

“A mensalidade do curso de medicina de Mogi das Cruzes é cerca de R$ 4 mil. No último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), em 2007, o curso recebeu nota 3, em uma escala de 1 a 5. Três é a nota mínima para que o curso funcione sem intervenção do Ministério da Educação.”

Uma pessoa que se matricula em um curso para pagar QUATRO MIL REAIS POR MÊS, sendo que esse curso recebeu nota TRÊS no Enade, depois paga mais TREZENTOS REAIS para ser humilhado e espancado. MERECE.

Uma resposta ao teu “Adeus.”

25 de fevereiro de 2010

Resposta para Bruna, sobre o post “Adeus.”:

Como dissestes, gostas mesmo é da necessidade da água, e não da água em si. Agora percebo que o motivo desta despedida não está em você, está em mim. Fui tolo, pois me esqueci de afagar tua sede. Porque gostas mesmo é de ser conquistada, mas não propriamente da conquista. A culpa é minha, toda minha. Em seus plenos 16 anos, não és mais aquela menina cheia de sonhos e utopias que conheci. E essa despedida é a prova disso, porque, em certa ocasião, conquistei uma menina e, agora, estou diante de uma mulher. E pelo visto conquistei esta mulher apenas uma vez, e para o bem ou para o mal não é assim que funciona. Mulheres devem ser conquistadas todos os dias, em todos os momentos, todos os beijos, abraços, olhares e palavras. Se não for assim, ficam frágeis. Perdem o desejo, e vocês dependem desse desejo. Usei o vento que poderia alastrar um incêndio para apagar uma vela, foi assim que errei. Na verdade, você ainda me ama. Mais que nunca. Porém, fui insensato. Me perdoe. Minha sorte é que ainda respiro para soprar o vento. E enquanto eu respirar, o soprarei. Nunca poderia desistir. Então, mesmo que saia agora. Eu irei atrás de ti.

Sempre e sempre.